Partilhamos quase meia vida da nossa existência… quando, um dia, aparentemente igual a tantos outros… um pensamento começa a moer… a moer… “não… não pode ser”… vamos pensando e evitando o confronto. Mas é! Dói, dói mesmo muito… faz-nos sentir à beira do abismo, faz-nos sentir as piores pessoas à face da terra… e vamo-nos perguntando… “O que é que eu estou a fazer? Não posso fazer isto!” E continuamos… na mesma vida, aparentemente calma e serena… em que nada acontece… mas onde parece que todos se sentem tão bem, nesse estado de graça… ninguém chateia ninguém… cada um com as suas “coisices” ou “nenhices”… enfim… partilhando um mesmo tecto (se bem que ultimamente já nem isso, mas… ninguém se tinha apercebido!).
Até que um dia… lá se vai a aparente calmaria. Afinal a insatisfação reinava… calada… camuflada… num disfarce feito à medida da harmoniosa re(a)lação. Alguém falou… alguém gritou… alguém abalou a suposta sólida estrutura. Ah… pois é… esta árdua e hostil faina cabe sempre a alguém. A alguém que… primeiro sofre… sofre calada… em conflito… atormentando-se. Sentido a distância… a ausência… a acomodação. Sentindo a vida a vegetar… mas “que raio!!”, vegetar é morrer. De repente, parece que há um despertar para a vida… aquela em que discretamente se vegetava. Mas ai… ai de quem, um dia, tem a ousadia de despertar! De bons (mas quem é que pediu para ser bom?) passamos a maus (e ser mau… dado o contexto… nem é o pior). Chovem as acusações, mais que muitas. Discute-se… acusa-se… fere-se… chora-se… e o mundo parece desmoronar… quem nos agarra?
Decidimos reagir… viver… mas as implicações são tantas… quase apetece desistir… Não! Desistir também é morrer. Então… há que respirar… olhar em frente… decidir pela vida. Recomeçar… devagar, claro… que a pressa é inimiga da perfeição (seja lá isto o que for). Pedir ajuda… rodearmo-nos de amigos, da mãe, do pai, do mano… de quem nos possa embalar, se for preciso… e, cá estamos! Esperançados num futuro… e quem sabe… finalmente encontrar o que, e quem, procuramos.
Enquanto isso… só posso dizer… Desejos de boas vidas!