Arquivo para leituras

Fernando Pessoa

by Nyne Wolfe
by Beamer Pevensey

Uma vez que estamos a divulgar Fernando Pessoa em SL, com uma exposição in-world… deixo-vos aqui um dos seus poemas… de que gosto particularmente.

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…”

[O que há em mim é sobretudo cansaço, by Álvaro de Campos]

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a lâmpada de aladino

Foi com agradável surpresa que encontrei/devorei o mais recente livro de Luís Sepúlveda: A lâmpada de Aladino. É um livro de pequenos contos/relatos que nos prendem e nos levam por tantos lugares do nosso planeta. Sim… sou suspeita… gosto imenso de autores chilenos… hehe… mas pronto, acho mesmo que este vale a pena (lol :P ). Enquanto lia o livro uma frase ficou (aliás, aparece também na contracapa da obra): “enquanto falarmos deles e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem” (pp. 36 ). Esta frase é imensa… reparem na verdade que encerra…

Só vos digo… leiam, aproveitem aqueles bocadinhos (mínimos que sejam… é a vantagem de serem pequenos contos… vai-se lendo por aqui e por ali) e saboreiem as palavras do Sepúlveda. Quem gosta do autor não vai ficar desiludido, quem não conhece… concerteza ficará fã… hehe!!! :D

Fica um cheirinho… :)

Quis rir, mas às vezes os ditames do cérebro confundem-se, cruzam-se, provocam curto-circuito, alguma coisa falha na alquimia da vida, alguma coisa me agitou num espasmo antes de desatar a chorar. O bêbado respeitou a minha angústia e, quando calculou que eu já tinha fungado o suficiente, estendeu-me a sua garrafa de Korn.” (pp. 59)

Conversaram, lembraram-se de muitas coisas bonitas de recordar e esqueceram outras que mereciam ser esquecidas, porque a vida é assim. (…) O velho e o cão iam contentes, porque a vida é assim.” (pp. 145)

lampada_aladino

Aconselho também: O velho que lia romances de amor, O mundo do fim do mundo, História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar

You can look for the books also in here.

Até lá… desejos de boas vidas! ;)

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